David knew, he had it marked on the calendar with a fat red cross. The afternoon was about to leave and began to darken. The full moon was appearing, it was similar to a goat cheese, and seemed to smile at him perniciously like a street whore asking to be fucked.
Those days of the month were always touchy. They were as stressful as the period in women. Every month they had that demonic week in which they bleed from the pussy and that hardship was very similar to his martyrdom. On the nights of the full moon, David turned into a wolf. In a large, black wolf, even larger than a usual canis lupus.
It was fair to assume that this millennium had already vaccine to that curse, science has invented almost everything: transgenic sheep with six members (the same as he pastored), dogs with brain implants, teleportation, cold fusion, apes charioteers, large sea horses that pulled underwater capsules to transport people across oceans.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
A new don
Era quinta-feira, chovia
fortemente em Lisboa. Pairava no ar um cheiro maroto, resultante das primeiras
chuvas do Outono que limpavam as ruas e elevavam aqueles vapores pestilentos
misturados com a humidade. O vento também não dava descanso e tornava a chuva
ainda mais desagradável e algo dolorosa. Já era madrugada mas à conta das
nuvens carregadas o sol nem se via, parecia ainda noite que alguns
exageradamente classificavam como apocalítica. Os relógios marcavam sete e mais
alguns minutos, a maior parte das pessoas dormia enquanto outras estendiam o
sono até estarem efetivamente atrasadas para que compromisso fosse, outras aproveitavam
as condições atmosféricas para se inspirarem à frente de um computador, chorando
baba e ranho, escrevendo o pseudo-romance do século, magicando uma qualquer frase
célebre que ficasse para a história da literatura. Por último haviam aqueles
que enfrentavam a chuva sem medos e já se achavam no martírio dos transportes
públicos para irem trabalhar.
El Patronito o Ardina
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
A viagem Parte 1
A paragem do autocarro ficava no quilómetro oitenta daquela estrada isolada e era composta apenas por uma vara de metal, hirta na berma, com um placa que a identificava. Não havia qualquer tipo de refugio que proporcionasse sombra. O Sol já queimava e era ainda inicio da manha. Autocarro nem vê-lo! Estaria atrasado? Ou já tinha passado e ele não dera conta? No bilhete dizia que arrancava do terminal às 9h30 e demoraria cerca de 15 minutos a chegar àquele troço mas eram efectivamente 10 horas quando Carlos olhou novamente o seu relógio suspeitando algum imprevisto.
Aborrecia-lhe a ideia de ir para Faro tendo que fazer o transbordo em Lisboa. Feitas as contas, com o autocarro a parar em todas as terriolas, demoraria um dia até a Lisboa e mais outro até a Faro. Tempo não lhe faltava para congeminar alguma trama ou escrever alguma aventura no seu moleskine.
Carlos olhava o horizonte onde a estrada tocava o céu e as formas das árvores e dos arbustos ondulavam com a refracção dos raios solares. Era possível avistar algo ao longo da estrada que se parecia com poças de agua mas que ele sabia bem que não passavam de miragens, nada mais do que ilusões ópticas.
As calças, a camisa e a gravata tornavam-se exageradamente desconfortáveis e ele já tinha recolhido o casaco e o colete que pousara sobre a maleta que estava no chão. Na zona das axilas era visível uma grande macha de suor e na testa acumulavam-se gotículas que iam ficando maiores e cairiam-lhe nos olhos certamente se ele não passa-se de tempos a tempos o lenço para enxaguar a testa e limpar os óculos escuros. Decidiu sentar-se em cima da maleta.
Ouvia-se o barulho de um motor ao longe, até que enfim chegara, 30 minutos atrasado mas chegara. Carlos voltava a olhar para o horizonte tentanto avista-lo e preparava-se para fazer sinal para parar. Contudo não era o autocarro que se aproximava, era um carro comum. À medida que avançava, o veiculo tornava-se mais nítido, já se conseguindo destingir alguns aspectos; era vermelho, era antigo, era um Ford Escort, era um XR3 conversível. A disposição dos farolins era inconfundível. A capota estava recolhida e dentro do carro vinha uma mulher a guiar e atrás conseguia se destingir uma criança que não deveria ter mais do que 6 ou 7 anos. Carlos contemplava distraidamente as linhas do carro quando o mesmo parou à sua frente.
domingo, 30 de março de 2014
a chegada.
"A felicidade não era assim tão fácil de conquistar. Tem que ser procurada, trabalhada. Outrora vivia uma vida de classe laborar onde o dinheiro servia apenas para pagar despesas e limitar-me a poucos luxos. Num piscar de olhos passei para o outro lado, onde o dinheiro não me faltava para fazer fosse o que fosse.
Ter pouco ou muito dinheiro tem os seus prós e contras. Quando tinha pouco andava a contar tostões agora que tenho muito afastei-me de muita gente - ganhei outras sem duvida - e embora não tenha ficado só, era obrigado a admitir que me faltavam certas pessoas a que já estava habituado à presença. Eram saudades ou simplesmente nostalgia mas lembrava-me das pessoas da minha freguesia, dos inúmeros cafés e bares que costumávamos percorrer fazendo fiado por alturas de final de mês, das confusões que armávamos, das gargalhadas a altas horas da noite. Mas é tudo tão linear, por isso é que as vezes tirava o fato e gravata, vestia roupa rasgada; a t-shirt sem mangas, o colete manga cava negro e um lenço amarrado ao pulso e ia sentir o punk para os bares que só a minha freguesia tinha, recordando a nostalgia que certos sítios me traziam. Conhecia inúmeras pessoas jovens, adultos , velhos e mendigos entre muitos outros. Agora que tinha a mulher e o gaiato, estava completo mas isso não me impedia de me divertir fosse com eles ou com amigos. Ninguém foge as suas raízes. A minha freguesia sabia sempre receber-me como um filho.
O Capitão.
Ter pouco ou muito dinheiro tem os seus prós e contras. Quando tinha pouco andava a contar tostões agora que tenho muito afastei-me de muita gente - ganhei outras sem duvida - e embora não tenha ficado só, era obrigado a admitir que me faltavam certas pessoas a que já estava habituado à presença. Eram saudades ou simplesmente nostalgia mas lembrava-me das pessoas da minha freguesia, dos inúmeros cafés e bares que costumávamos percorrer fazendo fiado por alturas de final de mês, das confusões que armávamos, das gargalhadas a altas horas da noite. Mas é tudo tão linear, por isso é que as vezes tirava o fato e gravata, vestia roupa rasgada; a t-shirt sem mangas, o colete manga cava negro e um lenço amarrado ao pulso e ia sentir o punk para os bares que só a minha freguesia tinha, recordando a nostalgia que certos sítios me traziam. Conhecia inúmeras pessoas jovens, adultos , velhos e mendigos entre muitos outros. Agora que tinha a mulher e o gaiato, estava completo mas isso não me impedia de me divertir fosse com eles ou com amigos. Ninguém foge as suas raízes. A minha freguesia sabia sempre receber-me como um filho.
O Capitão.
sábado, 8 de março de 2014
A new day
Estava estático há cerca de sete horas. Já estava naquele
terraço mesmo antes de ter sido formado o cordão policial. Geralmente era pago
por este tipo de trabalhos mas este faria com muito agrado. A chuva caía
miudinha e o vento estava a quinze nós. Já tinha regulado a trajectória mas
ainda não tinha trancado a mira não fosse a velocidade do vento aumentar. Onde
me encontrava, via em pleno o Palácio de São Bento – emblema de Portugal e da
liberdade – agora era a Assembleia da Republica, símbolo distinto da austeridade e da repressão, e da corrupção dos deveres que deveriam ser prestados
públicos mas cujo os interesses pessoais de gente que governa multidões como quem joga “ Damas” falava mais alto.
Aqui no
terraço consegue-se ver tudo. Era um prédio castiço para se morar, para fazer um
café ou restaurante gourmet, mas que interessa isso aos olhos deles. O prédio tem
talvez três habitantes, todos eles com os pés para a cova, a viver na pobreza
proporcionada por estes merdosos que fazem-se homens só porque usam gravata. Aqui em cima, quem
me faz companhia são os pombos e as respectivas poias que acabam
por ser mais fiéis que os seres humanos.
A manifestação
já se dava. Ouviam-se ao longe, os petardos lançados pelos cidadãos oprimidos que
reprovavam mais um orçamento criminoso. A polícia que sofria dos mesmos cortes,
dos mesmos males, mantinha a sua posição sem arredar pé. As merdas dos
juramentos orados nas escolas, cegava-lhes o bom senso. Era o jogo do empurra:
o povo queria ocupar as instalações da assembleia e a policia anti-motim não
deixava. Faltava pouco para rebentar a bomba e haver sarilhos. Pois que
houvesse! Sem sangue não há liberdade, era o meu lema. Eu, contudo, aguardava o
doutor, o supra-sumo da corrupção, o gatuno, enfim o filho da puta que roubou a
pensão dos meus avós e os fez pobres, o larápio que roubou a saúde aos
portugueses e os fez necessitados, o fraude que prometeu e não cumpriu, o
bandido que se apropriou dos ordenados e dos subsídios de milhares de pessoas.
Eu queria era o pirata que extorquiu a felicidade e o orgulho dos cidadãos
trabalhadores. Afinal de contas a dívida não era do povo, era o que se ouvia na
manifestação.
Os doutores
começaram a sair um a um para os seus carros blindados. Saiam sorridentes de
terem encontrado mais uma solução para o país. Contudo, não eram mais do que
mercadores de miséria.
Chegara a altura. O vento corria
a dezoito nós, regulei novamente a mira e tranquei. Esperei um pouco mais, quieto,
estático, tão estático e até as pombas me cagavam em cima, o silenciador faria
chiuu numa bala com a assinatura de todos os trabalhadores prejudicados deste
país e além-fronteiras. Nasceria um novo dia onde começaria a guerra contra o
capitalismo, o corporativismo e a corrupção. O projéctil levava a assinatura da
menina deficiente que perdera o subsídio, do estudante que não concluiu os
estudos por ter que arranjar trabalho, de todos os emigrantes forçados a sair
de “casa” por melhores condições de vida.
Um ligeiro
puxão e estava feito. Job done without a
fuzz. Arrumei tudo em 3 minutos, dois minutos e cinquenta segundos para ser
mais preciso. Tinha o traje de mendigo e um carrinho de supermercado
estacionado à porta do prédio. Ao chegar ao átrio, guardei a maleta no
carrinho, refundira-a entre os cobertores. Esfreguei um dejecto
de cão no casaco e no gorro e fui pedir refeição as carrinhas do banco a
alimentar. O meu cheiro era tão repugnante que ninguém se queria aproximar nem
para me dar o prato com feijoada. Ainda bem. O Povo é quem mais ordena. Case
closed.
Lori Montereal
Lori Montereal
sábado, 22 de fevereiro de 2014
There's only one girl in the world for you.
When I was a young boy
My mama said to me
There's only one girl in the world for you
And she probably lives in Tahiti
I'd go the whole wide world
I'd go the whole wide world
Just to find her
Or maybe she's in the Bahamas
Where the Carribean sea is blue
Weeping in a tropical moonlit night
Because nobody's told her 'bout you
I'd go the whole wide world
I'd go the whole wide world
Just to find her
I'd go the whole wide world
I'd go the whole wide world
Find out where they hide her
Why am I hanging around in the rain out here
Trying to pick up a girl
Why are my eyes filling up with these lonely tears
When there're girls all over the world
Is she lying on a tropical beach somewhere
Underneath the tropical sun
Pining away in a heatwave there
Hoping that I won't be long
I should be lying on that sun-soaked beach with her
Caressing her warm brown skin
And then in a year or maybe not quite
We'll be sharing the same next of kin
I'd go the whole wide world
I'd go the whole wide world
Just to find her
I'd go the whole wide world
I'd go the whole wide world
Find out where they hide her
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