As vezes não sei se a loucura é sinonimo de genialidade ou se a genialidade está associada a loucura. No que toca as mulheres serei sempre burro!
Raul Dinesta
quinta-feira, 11 de abril de 2013
sábado, 30 de março de 2013
A Noite.
Por
momentos houve, inúmeras vezes, que sorri com verdadeira alegria por o ambiente assim o ter proporcionado. A maior parte à noite. A
noite! essa era minha, era quando sorria verdadeiramente.
Libertava-me a alma, lava-me os problemas e as preocupações, e era sempre quando escrevia melhor. Quando
escrevia algum tema acabava sempre por retratar o amor; bem sucedido
mas mais frequentemente o falhado. Punha-lhe um happy
ending lá para o
final e tudo acabava sempre bem, o verdadeiro amor vencia e
perdurava. Claro que direi sempre a qualquer pessoa que a vida não
é um conto de fadas mas eu vivo-a como se assim fosse. Os paradoxos
são realmente uma trampa.
Quando escrevo estou realmente alegre, sorrio quando escrevo alíneas, sorrio na construção de frases, e quando organizo trechos. O clímax da alegria, o brilho do meu sorriso era quando escrevia o "Fim" no final de cada tema ou historia.
Quando escrevo estou realmente alegre, sorrio quando escrevo alíneas, sorrio na construção de frases, e quando organizo trechos. O clímax da alegria, o brilho do meu sorriso era quando escrevia o "Fim" no final de cada tema ou historia.
Poucos sabem de
fato o que isso é, e ninguém me pode tirar essa sensação, é meu,
só meu e repete-se sempre que agarro numa caneta, é como sexo promiscuo que podia fazer em qualquer lado; na rua, num beco, num
banco de jardim, as escura ou sob a luz dos lampiões de rua, à chuva, ao sol, de noite ou de dia, a qualquer altura e em qualquer
lugar. Brincava e fazia amor com as palavras, as frases roçavam-me gentilmente a
cabeça e o corpo como se, quem me acariciasse, fosse uma mulher. A
letras, as virgulas, os pontos, a sintaxe de todos ou qualquer texto
embalavam-me servindo de almofada. A estética e a poesia beijavam-me
a face e os lábios desejando-me boa noite. Qualquer declaração era
uma melodia de adormecer, por muito alegre que fosse o conto ou muito
triste. E o texto na sua integra pairava em todo o meu "eu"
como o abraço carinhoso da mais bonitas das paixões sussurrando-me ao
ouvido "amar-te-ei até ao fim". Ninguém me podia tirar esse
amor, é maior do que o de qualquer mulher.
Excerto do livro: Snack-Bar o Mordomo.
Jake Mandino
El Patronito o Ardina
domingo, 16 de dezembro de 2012
Fui de visita à minha tia a Marrocos
Fui de visita à minha tia a Marrocos
Fui de visita à minha tia a Marrocos (Hip Hop)
Fui de visita à minha tia a Marrocos (Hip Hop)
Fui de visita à minha tia, fui de visita à minha tia, fui de visita à minha tia a Marrocos (Hip Hop)
Singing aya iupi iupi ai
Singing aya iupi iupi ai, ai ai ai ai
Singing aia iupi iupi aia, iupi iupi aia, iupi iupi ai
Hip Hop
Para lá viajei de camelo (Ondulá)
Para lá viajei de camelo (Ondulá)
Para lá viajei , para lá viajei , para lá viajei de camelo (Ondulá)
Singing aya iupi iupi ai
Singing aya iupi iupi ai, ai ai ai ai
Singing aia iupi iupi aia, iupi iupi aia, iupi iupi ai
Hip Hop, Ondulá
P’lo caminho eu comi um bom porquinho (Ronc ronc)
P’lo caminho eu comi um bom porquinho (Ronc ronc)
P’lo caminho eu comi, p’lo caminho eu comi, p’lo caminho eu comi um bom porquinho (Ronc ronc)
Singing aya iupi iupi ai
Singing aya iupi iupi ai, ai ai ai ai
Singing aia iupi iupi aia, iupi iupi aia, iupi iupi ai
Hip Hop, Ondulá, Ronc ronc
Para acompanhar bebi um bom vinho (Glug glug)
Para acompanhar bebi um bom vinho (Glug glug)
Para acompanhar bebi, para acompanhar bebi, para acompanhar bebi um bom vinho (Glug glug)
Singing aya iupi iupi ai
Singing aya iupi iupi ai, ai ai ai ai
Singing aia iupi iupi aia, iupi iupi aia, iupi iupi ai
Hip Hop, Ondulá, Ronc ronc, Glug glug
De regresso viajei de comboio (uh-uhh)
De regresso viajei de comboio (uh-uhh)
De regresso viajei, de regresso viajei, de regresso viajei de comboio (uh-uhh)
Singing aya iupi iupi ai
Singing aya iupi iupi ai, ai ai ai ai
Singing aia iupi iupi aia, iupi iupi aia, iupi iupi ai
Hip Hop, Ondulá, Ronc ronc, Glug glug, uh-uhh
Da janela disse adeus à minha tia
Até breve! (Bis)
Da janela disse adeus à minha tia
Até breve !
Singing aya iupi iupi ai
Singing aya iupi iupi ai, ai ai ai ai
Singing aia iupi iupi aia, iupi iupi aia, iupi iupi ai
Hip Hop, Ondulá, Ronc ronc, Glug glug, uh-uhh Até breve !
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
One Perfect Rose
A single flow'r he sent me, since we met.
All tenderly his messenger he chose;
Deep-hearted, pure, with scented dew still wet -
One perfect rose.
I knew the language of the floweret;
'My fragile leaves,' it said, 'his heart enclose.'
Love long has taken for his amulet
One perfect rose.
Why is it no one ever sent me yet
One perfect limousine, do you suppose?
Ah no, it's always just my luck to get
One perfect rose.
All tenderly his messenger he chose;
Deep-hearted, pure, with scented dew still wet -
One perfect rose.
I knew the language of the floweret;
'My fragile leaves,' it said, 'his heart enclose.'
Love long has taken for his amulet
One perfect rose.
Why is it no one ever sent me yet
One perfect limousine, do you suppose?
Ah no, it's always just my luck to get
One perfect rose.
Dorothy Parker
El Patronito o Ardina
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A hora da conversa
Chegara a hora de ter uma conversa com ele. Gerard andava
triste, cada vez mais ocupado com trabalho, mais cansado e cada vez mais sozinho.
O motivo do seu desânimo era fácil de perceber. Os tempos eram tortos sem dúvida,
o governo não dava margem de manobra às pequenas e médias empresas como o caso
desta. Enquanto as grandes monopolizavam o mercado e a concorrência, recebiam
ainda grande maioria dos subsídios. As outras, claro, enfraqueciam e abriam
falência levando com elas, dezenas de empregados ao desemprego e famílias á
ruína.
As vendas eram fracas e o motivo estava á
vista. Só o governo não percebia que quanto mais retirava aos portugueses,
menos eles compravam. Não havia poder de compra, não havia circulação de
dinheiro, não havia libertação de capital, ficava estagnado e não se
multiplicava. Mas a grande questão de Gerard, bem como a de todos nós, era como
manter os nossos cerca de cento e trinta empregados.
Para a empresa subsistir tinha
que haver despedimentos “layoff's”
como dizem os americanos. Era óbvio, era assustador e triste mas o “downsizing”
era talvez a única solução e devia ser encarada como uma realidade que a
qualquer momento iria acontecer. É uma regra que se aprende na faculdade e faz
parte do bom senso de qualquer gestor. Só ele não percebia isso, não sei se era
por não perceber nada de gestão ou se estaria a alimentar um sonho de que as
coisas iriam melhorar por si só.
Cheguei ao
trabalho e preparei as coisas. Tirei um café na máquina da sala de refeições da
direção. Tinha lá também uma máquina de bolos, o micro-ondas e uma mesa. Olhei
para a televisão, estavam a passar as notícias da austeridade que eram
habituais e comuns a qualquer outro dia, nada variava a não ser o valor que o
governo iria “roubar” ao seu povo. A situação económica piorava de dia para dia
e não era só em Portugal, a austeridade assombrava o mundo inteiro. Uma pessoa
chegava a sentir-se culpada por receber 3000 euros por mês quando a situação
geral era receber 475, 500, 600 euros. Gerard no entanto, pagava 350 euros á
mais que ordenado mínimo aos seus empregados. Ele remunerava em média, 850
euros por empregado. É na verdade, e nos dias que correm, uma quantia aceitável.
Acabei de beber o café e como
ainda não o tinha visto passar decidi dirigir-me ao seu gabinete bater á porta.
Antes do seu gabinete estava Natália a secretária e também Francisco o
contabilista debruçado sobre papelada, contas, lucros, faturas, procurando onde
poupar mais.
Batia a
porta e logo uma voz me disse “entre”.
- Gerard! - indaguei eu. Estava
com a mesma roupa de ontem. Estava explicado porque ainda não o vira a passar.
Ele não passara ali a noite, a trabalhar. O seus olhos estavam negros das
olheiras o cabelo despenteado todo ele parecia fraca. Perguntei-me se ao menos
teria comido qualquer coisa.
- Gerard –
interrompi bruscamente. – Temos que falar.
- Não há nada para falar. Eu sei
o que pretendes e digo já que não aceito.
- Mas é o
mais correto.
- Ainda há
solução – teimou ele.- Se cortarmos aqui, descermos o preço do produto e das
embalagens. Se alterarmos exponencialmente a circulação dos enlatados. Podemos
tentar expandir para outras zonas. Reposição imediata em grandes superfícies
- É tudo
uma ilusão Gerard. Vais ter que acabar por tomar essa decisão, mais tarde ou
mais cedo.
- Não vou –
levantou ele a voz. Assustou-me. - Olha bem para ali para a vitrina. Tenho
gente com família que nunca faltou, nunca chegou atrasado, vieram trabalhar
constipados, fizeram horas extras quando lhes foi solicitado. Que motivo vou
dar eu para lhes despedir.
- Ora! Eles
iram compreender. – disse eu. Só depois me apercebi que era uma asneira. Ninguém
compreende um despedimento com base no capitalismo.
- Compreendes
tu por eles porque a ti não te falta comida. A eles sim. Trabalha ai uma mãe solteira
com três filhos pequenos. Com que cara, vou eu dispensa-la dos seus serviço
para a empresa faturar mais. E como ela existem inúmeros outros casos.
Não consegui
dizer nada. Ele chamou-me a razão, contudo a minha atitude era para o bem da
empresa, dele especialmente.
- Já lá vão 2 anos desde que cá
estás – continuou – sempre achei que tinhas potencial, porque não confias em
mim agora quando eu mais preciso. Porque não usamos todos a cabecinha e vemos o
que se pode fazer para não despedir as pessoas que não merecem, que precisam do
trabalho. Não quero sem mais um tirano nesta sociedade.
Ok então
fazemos assim: eu pensarei em algo e convocamos uma reunião para as vinte
horas. Todos sem exceção aqui na empresa para falarmos sobre isto. Ninguém sai
daqui até ficar tudo claro, até arranjarmos uma solução ambigua. Entretanto tu
vais dormir porque também não estás a pensar com clareza.
Ele aceitou.
Embora eu soubesse que ele não ia voltar atrás com a sua decisão. Manteria a
sua postura até ao fim. Quando disse que ele não estava a pensar com clareza
não escolhi bem o termo. O seu raciocínio era claro, conciso, e digno, a única
diferença é que era direcionado para um bem mais nobre. De gestão até podia não
perceber pevas mas da condição humana ele sabia até de mais. O homem não é um
tirano, ele afinal tem coração era ponto assente. Todos nós pensamos e
debatemos e após ele mostrar a sua opinião verificamos que ele descartou o Downsizing. Ele fez melhor que isso,
rentabilizou a empresa.
Sara Van Winkle
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Saíram todos detrás da cortina e gritaram. Parabéns Parte 2
Tinha anotado numa folha as
coisas que tinha para fazer. Parecia a lista de Beatrix Kiddo no filme Kill
Bill. Número um: matar o pasteleiro. Não. Não é verdade o primeiro sítio onde
tinha que passar era numa sapataria… matar o sapateiro. Ah ah! Também não é
verdade. Tinha que lá passar, sim, mas era para trazer uns sapatos que tinha
reservado. Depois tinha que passar na pastelaria para levantar o bolo de
aniversário que tinha encomendado e ainda fazia contas de ir á livraria, tinha
o dia todo preenchido. Já havia tomado o pequeno-almoço em casa assim que acordei.
Café com leite e uns croissants. Um pequeno-almoço á parisiense. Também já riscara
a ida ao cabeleireiro que me fez uma maravilha com o cabelo. Estava, de momento,
perto da livraria e aproveitei para levantar logo o livro que tinha encomendado.
Entrei e esbarrei com um antigo ex-namorado que também lá estava. Já não o via há
largos anos.
Estava de costas e tive que andar
de volta dele a fingir-me interessada nos titulos até confirmar que era mesmo
ele.
James! – disse eu
Ele estava concentrado num livro
de Ernest Hemingway, por isso não respondeu. Olhei para ele e imaginei-lhe como
quando nos tínhamos conhecido há longos anos. Era como se não tivesse mudado de
forma alguma. A sua silhueta estava perfeita.
- Ernest Emingway hein? Sempre
foi o teu autor favorito.
- Amanda! – estranhou ele –
Amanda! - repetiu com mais ênfase.
- James como estás? Tudo bem?
É sempre estranho encontrar um
ex-namorado antigo que nos marcou. Há certos pensamentos que nos atravessam a
cabeça a vinte mil rotações enquanto sorrimos ridiculamente: “Será que estou
bonita?”, “porque é que isto tinha de acontecer hoje?” “logo hoje que estou tão
ocupada!”. “Está bonito!”, “deve ter namorada!” “ será que ainda sente alguma
coisa por mim?”, “porra o que faço agora?”. “ Fuck, fuck, fuck, merda”.
Esses encontros, no entanto,
obedecem a certas regras. Primeiro as expressões. Começamos por ficar
surpreendidas depois contentes e nunca tiramos o sorriso da cara. Permanecemos
sorridentes até ao fim. Depois vem a conversa trivial, que tem implementado
algumas frases chaves que seguem a seguinte ordem: Como estás? Que andas por
aqui a fazer? Estás formidável ou estás com bom aspeto! E de resto como está a
tua vida? Então e de amores? E a pergunta final: Queres ir beber café?
Este encontro, como todos os
outros, não fugiu á regra.
- Estou bem – afirmou ele - e tu
que contas.
- Tou a ver uns livros.
- Pois, pensei que tivesses vindo
comprar chanatos. – gracejou
- Ahh tens razão é uma livraria…
Vim buscar um livro que reservei. O novo romance da Sarah Van Winkle.
- “Nunca é tarde á meia-noite”?
- Sim é esse mesmo! Reservei para
dar a uma amiga. É o aniversário dela.
- Boa escolha Amanda. É muito
bom, aliás, qualquer livro dela é bom
- Bem sei. Bem sei. Então estás a
trabalhar em que? - perguntei
- Nada de especial! Sou apenas
coordenador de departamento da OHMS.
- Engraçado! Não é mesmo nada de
especial e eu a pensar que estavas a virar frangos. - Sorri
- Sim tem o seu que de
responsabilidade. E tu?
- Sou assistente do presidente de
uma fábrica de enlatados
- Isso é bom. Qual é a marca.
- “Enlatados de Portugal”
pertence a companhia “Portugal não vai nada mal”.
Fez-se um pouco de silêncio.
Ambos sorriamos estupidamente, apalpávamos as abas dos livros e líamos os
títulos e as sinopses como dois miúdos de escola envergonhados.
- Estás formidável Amanda. -
observou James.
- Não exageres, fui agora
arranjar o cabelo por isso é que pareço rejuvenescida.
- Não Amanda. Estás mesmo.
- Tu também, James. Estás com bom
aspeto. Deves ter todas as raparigas atrás de ti. – disse eu.
- Nem por isso, não me tenho
dedicado muito a isso. E tu.
- Também estou igual. Ando mais
vocacionada para o trabalho. Mas tenho sempre tempo para um copo ou dois.
- Nisso estamos de acordo. Queres
beber um logo? Falar de coisas?
- Logo vou estar ocupada numa
festa de anos mas manda-me uma mensagem talvez a festa já tenha acabado.
Trocamos os números e ainda
ficamos a falar por mais um algum tempo. Subitamente olhei para o relógio,
reparei que já se fazia tarde, despedi-me educadamente dele e tudo o resto que
tinha para fazer durante o dia foi feito a correr como corri entrei nas lojas
agarrei o que tinha encomendado e deslocava-me para outra loja parecia o
videoclip de uma banda de rock.
Consegui concluir tudo o que
tinha programado, eram quase horas de jantar, ligaram para saber onde andava
porque já lá devia estar.
Cheguei a tempo para a festa
surpresa, já havia muito coisa arranjada: os comes, os bebes, o karaoke. Só faltava
mesmo a aniversariante que também não tardaria a chegar. Pus o bolo na mesa e
guardei o livro na mesa dos presentes. O bolo já tinha as velas postas. O namorado,
que tinha preparado tudo, mandou mensagem, queria dizer que estavam prestes a
chegar, já deviam estar no prédio. Apagamos as luzes e escondemo-nos todos para
que quando chegassem gritássemos
Enfim, ouviu-se as chaves a rodar
a porta e entraram, o namorado dela acendeu as luzes desculpando-se por não ter
preparado nada para a festa, o que ra mentira Vanessa nem sonhava com a
surpresa que lhe esperava. Saímos todos detrás da cortina e gritamos em conjunto, Parabéns.
A festa
estava fantástica mas algo me entristecera. Eu via aquela felicidade entre Vanessa
e o namorado, o cuidado com que ele preparou a festa a atenção para a sua
cara-metade. E eu? Quando vai chegar a minha vez de ter alguém que me prepare
uma festa, ou que me prepare o jantar quando chegar tarde a casa? Foi então que
recebi uma mensagem do James. “sempre queres ir dar uma volta, beber um copo.” Voltou-me
o sorriso à cara e respondi-lhe que ainda estava na festa mas que daqui a pouco
já saia e que lhe ligava.
Sarah Van Winkle
Em “ O diário de Amanda”
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