sexta-feira, 23 de março de 2012

O Call Center

sábado, 10 de março de 2012

Tigrão

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Masturbação

Está deitado na cama mas não lhe cai o sono. Ele desenha formas de uma mulher deslizando a sua mão como se a acarinhasse. Não importa se é magra se é feia se é rabugenta se ressona; quem feio ama bonito lhe parece.
Ele imagina-a deitada e com a mão percorre-lhe todo o corpo, movendo-a em perfeita sintonia com todas as curvas que o mesmo pode ter. Acompanha o seu sono: não lhe toca com demasiada força para não acorda-la, nem com demasiada gentileza evitando incomoda-la.
Observa as suas medidas: o pescoço, as faces, os seios, o umbigo, os pés, todo a sua voluptuosidade. Observa-a com a magnificência de um homem paralisado minutos a fio, em frente a uma escultura de Michael Ângelo.
Ela pertence àquele cosmos que é o quarto, encaixa-se perfeitamente na sua cama pequena em perfeita simbiose emocional Ele ajusta-lhe o cabelo por trás da orelha e sorri, imaginando a cara dela regalada no sono, no calor do leito. Fabrica feições da cara dela, só com a mão, com os dedos, como se tivesse a trabalhar o barro. Sente-lhe as bochechas. Afaga-lhe a franja para lhe ver os olhos a sonharem paraísos e toca-lhe suavemente no nariz arrebitado sem nunca acorda-la.
Ele imagina pôr-lhe a mão no ombro, e move-a sentindo toda a delicadeza da sua pele como se avaliasse seda da mais genuína. Continua a deslocar a mão, cuidadosamente, percorrendo as formas dela, acaricia-lhe o pescoço, brinca com a orelha, sorri para ela e sonha com o seu abraço, como se ela lá estivesse.
Imagina que agora é ela que desloca a mão no seu corpo. Ele, acaricia o seu próprio ombro, como se fosse ela a faze-lo. Percorre a sua mão pela cara, afaga a sua própria nuca, faz remoinhos no cabelo, toca-se na orelha, e “cocegeja” levemente o pescoço, toca-se no nariz sempre como se fosse ela a faze-lo. Sente os seus mamilos rijos como se fosse ela massaja-los como se estivesse prestes a fazer amor. Move a sua própria mão por todas as zonas que lhe poderão potenciar o êxtase. Segreda a palavra “amo-te” e cai enfim no sono.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ERA 11

Repito-me dizendo que a cana vibrava fugazmente. A noite tinha sido frutífera, eram já 3:50 e apanhara 2 peixes, mesmo que até as 5h não apanha-se mais nada, não ia de mãos vazias.
Era engraçado observar a cana a vibrar e saber que não estava lá nada. A primeira vez que pesquei foi obviamente com o pai. Ele dava grandes lições na pesca, e eu, ainda catraio, provocava-lhe risos sempre que a cana vibrava porque ia chama-lo a esbracejar “apanhei, apanhei”. Ele inicialmente olhava para a cana, mas na verdade era simplesmente maré que a fazia vibrar, era a maré ou os peixes a picar a isca. Ao longo da prática da pesca aprende-se a distinguir a oscilação da cana provocada pela maré, de um peixe que picou o anzol.
Então estava eu, sem tirar os olhos da cana, a ver se alguma coisa picava e ela vibrava não havia dúvida. O pai constantemente dizia que era a maré e eu chateava-o e ia a correr ter com ele, á sua cana a gritar: “apanhei, apanhei”, ele respondia sempre com sorriso: “ é a maré, é a maré”. Eu lembrava-lhe os miúdos em viagem que perguntam a todo o minuto: “já chegámos…, já chegámos” ou aqueles que estão na misse e perguntam sempre se estão a portar bem. É!… o pai se aqui estivesse ainda me havia de ensinar coisas úteis, muito úteis na verdade. Sabia quando havia de repreender e quando sorrir.
Perdi-me outra vez nas minhas divagações, devaneios, se lhe quiserem chamar isso. Tinha uma lata de anchovas para comer e uma caneca de café para beber. A cana vibrava mas ainda não estava lá nada, fui então comer sossegado pensando nas palavras do pai. “É a maré…É a maré”

ERA 10

Era então certo que iria ali ficar, ficara assim decidido. a chuva continuava a cair miudinha, condição que nem me incomodava.
Preparava-me para beber um copo de café e abrir a lata de anchovas quando subitamente comecei a ouvir uma espécie de zumbido, um “ ZZZZzzzzzzzzzzzz” forte e contínuo que me estava a fazer confusão, a cana ludibriou-me porque oscilava ao sabor da corrente e só me apercebi que algum peixe tinha ficado agarrado quando me aproximei da cana, dobrei-me e encostei o ouvido ao carreto. Não era necessário ser Einstein para deduzir que estava lá um peixe e não era pequeno. Apressadamente agarrei na cana e recolhi a linha, ainda cheguei a sentir um esticão mas a linha recolheu-se sem qualquer dificuldade e achei natural que o que lá estava tinha acabado de se soltar. Recolhi toda a linha e de facto como era previsível não estava lá nada, estava a chumbada presa na madre, mas tudo o resto tinha o levado o peixe: o estralho, o anzol e o peixe em si. Olhei o mar e raciocinei sobre que tinha feito de errado, mas o que está feito, feito está. Voltei a por a isca e desta vez apertei bem os nós. Nenhum peixe havia de lá escapar agora. Atirei o peso novamente e desta vez consegui atira-lo até cerca de 30 metros. E esperei. Pouca se faz aqui a não ser esperar e divagar. Quando estou sozinho, o que é muito frequente, geralmente ponho sempre uma musica na radio, é a Eunice quem me faz companhia usualmente, gosto também muito de escrever mas o pais não está para escritas utilmamente, bem, o pais não está para nada utilmamente como pode o povo pagar por uma crise criada pelos grandes. Não vou divagar sobre isso recusou-me esse tema só me faz triste, a crise e o amor. Se ao menos em miúdo, tivesse fechado os olhos á economia e ao amor seria agora feliz… Burro é certo, mas feliz.
A cana vibrava novamente, mais umas frases solta saídas do cerne do meu pensamento e estaria ali um peixe a debater-se para escapar. Era só uma questão de esperar. Esperar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

ERA 9

Voltei a instalar o isco espetei-lhe um camarão tigre descascado. Decidi por esse, embora na maleta tivesse uma grande variedade de isca; tinha sardinha que podia filetar; tinha lula que podia golpear; tinha camarão tigre e camarão normal conservado em sal, tinha minhoca casulo, tinha uma ou outra amêijoa, e caranguejo não tinha mas podia á vontade apanhar perto das rochas. Montem o anzol intermédio pois tanto podia apanhar um peixe pequeno como um peixe grande geralmente usava material intermédio para abranger varias hipóteses. Lancei ao mar e anotei a hora: eram três e meia da madrugada. A vara não se mexeu durante 5 minutos, vergou então ligeiramente mas nada que me fizesse levantar da areia. Então começou a chover. Bem fui avisado pelos meus amigos que iria chover, por enquanto caíam pequenas pingas, come se o mar tivesse alma e aspejá-se-me agua, como se disse-se “acorda miúdo”, mas sabia que iria piorar, talvez não agora, talvez esta chuva miúda fosse um advertência para algo mais forte, como se quisesse que me fosse embora porque iria cair fortemente. Era inverno e já há mais de um mês que não chovia, não me importava que chovesse agora. Se a natureza dizia para me ir embora eu decidi ficar. Vesti a gabardina para não molhar os blusões, tirei o café que tinha feito em casa e a lata de anchovas e ali fiquei. O mar disse “vai-te” e eu respondi-lhe “não”.

sábado, 31 de dezembro de 2011

I'm free



Todos nós queremos desejar-vos, caros leitores, uma fantástica passagem de ano, que o fogo de artificio vos aliemente a alma, os amigos vos alentem a vida e nunca, nunca deixem que o fantasma da austeridade vos estragues os planos ou o momentos felizes.

Um grande Bem-Haja

El Patronito o Ardina