domingo, 11 de setembro de 2011

AS VINTE REGRAS DE S. S. VAN DINE PARA SE ESCREVER UM BOM ROMANCE POLICIAL:

1. O leitor deve ter oportunidade igual à do detetive de solucionar o mistério. Todas as pistas devem ser claramente enunciadas.

2. Nenhum truque ou tapeação proposital deve ser utilizado pelo autor, senão os que tenham sido legitimamente empregados pelo criminoso contra o próprio detetive.

3. Não deve haver interesse amoroso no entrecho. A questão a ser deslindada é a de levar o criminoso ao tribunal e não a de levar um casal ao altar.

4. Jamais o detetive ou algum investigador deve ser o culpado. Isso seria tapeação: naturalmente porque o raciocínio do leitor está voltado para o rol de suspeitos.

5. O culpado deve ser identificado mediante deduções lógicas e não por acidente, coincidência ou confissão forçada. O contrário disso seria mostrar ao leitor que todo o seu trabalho de dedução foi inútil pois o tempo todo o autor tinha o nome do criminoso.

6. A novela de detetive tem de ter um detetive. Alguém que “detecte”. Que analise as pistas e junte-as a fim de identificar o autor da sujeira relatada no primeiro capítulo.

7. É necessário que haja um cadáver. Quanto mais morto, melhor. Os crimes menores que homicídio são insuficientes. Só o assassinato desperta no leitor seu sentimento de vingança e horror.

8. O problema do crime deve ser solucionado por meios rigorosamente naturais. Métodos como leitura da mente, reuniões espíritas, bolas de cristal estão excluídos. O leitor deve ter oportunidade igual à do detetive para solucionar o mistério; se ele tiver que competir com espíritos, bolas de cristal, etc, fica em desvantagem.

9. Cada história deve ter unicamente um detetive. Uma história com muitos detetives bagunça o raciocínio lógico da narrativa, além de deixar o leitor, que é único, em desvantagem. Na novela policial, o leitor se identifica com o detetive; havendo mais de um detetive, ele não sabe a quem dirigir sua atenção.

10. O culpado deve ser alguém que desempenhou papel mais ou menos destacado no entrecho. Alguém com quem o leitor se familiarizou. Se o autor apresenta um desconhecido como criminoso, estará admitindo sua derrota diante do leitor.

11. Criados – mordomos, valetes, guardas florestais, cozinheiros – não devem ser escolhidos pelo autor como culpados. Isso constitui uma solução fácil demais. O leitor ficará frustrado, achando que perdeu tempo tentando identificar um personagem tão desimportante. Se o crime foi obra de um trabalhador braçal, o autor não deveria ter escrito um livro a respeito.

12. Deve haver apenas um culpado, por maior que seja o número de homicídios cometidos. Esse culpado poderá ter um auxiliar, mas é nele que recairá a cólera do leitor.

13. As sociedades secretas, máfias, camorras, etc, não devem ter lugar em histórias de detetives. O assassinato verdadeiramente lindo e fascinante estaria comprometido por essa culpabilidade por atacado. Além disso, se o assassino pertence a um grupo criminoso, ele conta com uma rede de proteção, o que tira o fascínio do suspense.

14. O método utilizado para o assassinato e o meio de descobri-lo devem ser lógicos e científicos. Quer dizer que os meios pseudocientíficos e os dispositivos puramente imaginativos ou especulativos não serão tolerados no roman policier. O autor deve se limitar aos venenos e drogas conhecidos da população. Se inventar coisas mirabolantes sairá da área do romance policial e entrará no romance de aventura.

15. A verdade do problema deve estar bem à vista em todos os momentos da narrativa. O leitor tem que ser arguto para perceber. Quando o leitor chegando à última página recomeça a leitura deve pensar: Puxa, por que eu não percebi isso? O leitor tem que se convencer que não é tão arguto quanto o detetive. Uma novela de mistério nunca será de mistério para todos os leitores pois alguns deles descobrirão o assassino antes do detetive.

16. Uma novela de detetives não deve conter compridas passagens descritivas, nenhum rebuscamento literário em questões secundárias, nenhuma análise sutilmente elaborada dos personagens, nenhuma preocupação “atmosférica”. Tais procedimentos retardam a ação e carreiam para a história elementos que não têm nada a ver com ela. Leitores de novelas policiais não buscam enfeites literários, estilo, belas descrições, mas o estímulo mental e a atividade intelectual.

17. Jamais se deve atribuir a um criminoso profissional a culpabilidade do crime em uma história de detetives. Os crimes cometidos por arrombadores e bandidos estão na esfera da polícia – e não na esfera de autores e detetives amadores (leitores). O crime verdadeiramente fascinante é o cometido por uma coluna-mestra da igreja ou alguma solteirona conhecida por seus atos de caridade.

18. O crime na história policial jamais deve ocorrer por acidente ou suicídio. Encerrar a história com esse anticlímax corresponde a um truque contra o leitor.

19. O móvel do crime na novela policial deve ser de ordem pessoal. Ciúme, cobiça, amor, ódio, vingança, medo, tara, etc. Sair desses motivos equivaleria a retirar do leitor um elemento de dedução. Tramas internacionais pertencem a outro gênero – o gênero da espionagem. O crime deve refletir a vivência cotidiana do leitor, proporcionar-lhe certo escapamento para seus próprios desejos e emoções reprimidas.

20. O autor “policial” não deve usar os meios dedutíveis ou provas já usados em demasia por outros autores, pois eles já são conhecidos dos leitores de romances policiais. Quando o escritor usa esses meios está confessando sua falta de talento e originalidade.

Anotado e adaptado por Joaquim Nogueira, do livro O MUNDO EMOCIONANTE DO ROMANCE POLICIAL de Paulo de Medeiros e Albuquerque.

S. S. Van Dine, pseudónimo de Willard Huntington Wright, é o escritor norte-americano que criou o detetive Philo Vance.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Inesperadamente no quarto

Ela entrou em casa batendo furiosamente a porta da entrada, dirigia-se em passo rápido para o quarto como se nenhuma alma a conseguisse travar. No seu interior crescia fúria, fúria misturada com ânsia, desejo, saudade e muitos mais sentimentos que compõem a paixão. Os seus olhos azuis ardiam de sensualidade, flamejavam como duas chamas saídas de maçaricos.
Ao longo do extenso corredor que dava para o quarto, ia tirando as peças de roupa, uma a uma. O curto casaco de cabedal foi o primeiro a ficar junto a porta, depois seguiu-se o cinto de couro que atirou para a mesa do corredor juntamente com as chaves de casa, soltou então o elástico que lhe prendia o negro cabelo liso balançando-o suavemente para o soltar na totalidade e com um movimento brusco da cabeça atirou-o para trás das costas. Começou a tirar as botas violentamente com o auxílio dos pés ficando ambas separadas por um metro, agora os seus pés nus caminhavam na carpete percorrendo suavemente e sem qualquer barulho a distância que remanescia até ao quarto. Quando começou a desapertar os primeiros botões das calças estava já a meio do corredor, e cada passo que dava desencadeava o deslizamento gradual das mesmas, expondo a sua roupa íntima que era de um vermelho mais tinto que o vinho.
Ao chegar á porta do quarto, abriu-a com força, onde ele se encontrava, á janela a fumar um cigarro, com o seu casaco de veludo negro e o chapéu de capitão que nem sequer tinha ainda tirado.
Dirigiu-se a ele como uma fera sobrenatural, nada a parava, algo a consumia ardentemente como uma chama consome a madeira e o oxigénio em absoluta combustão. Sim era isso, podia-se dizer que ela estava em plena combustão, estava brava, esperara aquele momento vezes sem conta, contara na memória infinitas vezes, fizera contas com os dedos, fizera cálculos nas horas de trabalho, em casa, no banho, imaginara mais de mil vezes o filme, o episódio, a situação. Já não o via há duas semanas, com a agravante que tinham discutido antes de ele embarcar. Era a hora de por tudo em pratos limpos.
O acontecimento deu-se todo numa fracção de segundo: Sem lhe dar tempo de pensar ela arrancou-lhe o cigarro da mão, deu um bafo e atirou-o pela janela. Espantado, ele não teve tempo de dizer qualquer palavra nem de fazer qualquer expressão, nem sequer teve possibilidade de executar qualquer gesto. No entanto todo o filme que ela fizera, todo o arranjo, todos os cálculos, a preparação; tudo se esvanecera por completo da sua mente, mas ela determinada não ia abdicar daquilo que tinha para dizer. Os seus olhos cruzavam-se com os deles e que fez ela então. Beijou-o, beijou-o tão fortemente que não acredito que haja beijo mais grandioso e digno de ser trovado como aquele. Beijou-o dizia eu, com tanta paixão que era agora impossível reproduzir tal beijo novamente. Beijou-o e começou a tirar-lhe a roupa a qual acção ele não se opôs, acompanhou-a tirando-lhe a roupa que restava no corpo. Ela beijou-o apaixonadamente enquanto as mãos de ambos percorriam os corpos já nus, prontos a fundirem-se num só. Faltara apenas ela dizer aquilo que a melindrava, que guardara desde a ultima discussão que tiveram. Cruzou o olhar com o dele e passou-lhe a mão pela face, enquanto ele mordiscava-lhe o pescoço ela disse-lhe ao ouvido: “Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer …. “ Não conseguiu no entanto acabar aquilo que tanto esperará para lhe dizer, ela soluçava, as pernas desfaleciam, tremiam de desejo o seu coração originava batidas que parecia um bombardeiro em plena guerra, as mãos dele sentiam todos os centímetros do corpo dela, sentiam os seios, acariciavam-lhe as nádegas, acarinhavam-lhe o sexo, sentiam-lhe o prazer, afagavam lhe o cabelo e a cara, tudo, de forma tão perfeita como se fosse um escultor exímio a trabalhar na sua mais recente obra e cuja loucura lhe tenha ceifado a vida. Os corpos suados de ambos uniam-se por vontade da paixão e microscopicamente, átomos e electrões chocavam naquele quarto e o tornava cada vez mais abafado o que contudo não os impediu de continuarem, cada um deu ao outro aquilo que mais tinha de valor… durante horas a fio.

O poeta

Welcome back Poeta um grande Bem-Haja para ti

El Patronito o Ardina

terça-feira, 17 de maio de 2011

Here's looking at you kid!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

By me a red Ballon

A mãe propôs um pequeno-almoço no café mais próximo; um galão e um bolo para a mãe e um leite achocolatado e igualmente um bolo para a fila. No entanto Matilda avistou, ao lado da pastelaria, um balonista, um vendedor de balões com um boné de pescador. O vendedor estava sob a sombra de uma arvore mesmo ao lado da cafetaria onde as duas tomavam o pequeno-almoço. O mesmo estava acompanhado de uma bilha de hélio presa a um suporte com duas rodas que facilitava a deslocação e apesar de esguia tinha quase a sua altura. A bilha de hélio era pesada e assentava num suporte de transporte com duas rodas. Preso a bilha, estavam inúmeros balões já enchidos que flutuavam no ar. Eram balões de variadas formas e formatos; havia redondos e simples, havia coloridos e com formas de animais, havia grandes e pequenos, havia em forma de golfinhos, cangurus, pandas, panteras, ursos, macacos, pinguins, girafas, gorilas, leões javalis, suricatos, havia mesmo de tudo, mas as Matilda só lhe interessava um: o Azul


Continua

El Patronito o Ardina

domingo, 17 de abril de 2011

By me a red Ballon

Ao chegarem ao Jardim Zoologico, Matilda olhava maravilhada para o grande portão, ainda nem tinham entrado e já se ouvia os leões a rugirem e os elefantes a bramirem ouvia-se também a grande variedade de pássaros a chilrearem. O dia estava bonito e solarento convidando os animais a saíram dos seus abrigos e a interagirem com os visitantes Começaram as duas pelo recinto dos Cangurus. “Canguru é o nome genérico dado a um mamífero marsupial pertencente a quatro espécies do género Macropus da família Macropodidae. – lia a mãe a informação - As características incluem patas traseiras muito desenvolvidas e a presença de uma bolsa (o marsúpio) presente apenas nas fêmeas na qual o filhote completa seu desenvolvimento. O canguru é o animal-símbolo da Austrália.
Enquanto a mãe lia a informação afixada aproximou-se um canguru com a seu cria, Matilda hesitante e receosa tentou a custo fazer uma carícia mas não há nada que ter medo e após algum tempo lá conseguiu.
Vês filha! Como são amistosos. - disse a mãe. não tens que ter medo.


Continua


El Patronito o Ardina

quarta-feira, 13 de abril de 2011

By me a red Ballon

Era manha de um Sábado no Jardim Zoológico de Lisboa. Matilda e a mãe já lá estavam desde as 8h. Matilda dos seus 5 anos, ao contrario de todos os outros dias em que era um martírio para a mãe a levantar da cama para a escola, nem teve dificuldades em levanta-la, ainda tocava o despertador da mãe e já Matilda estava de pé e pronta para sair.
Não faltando ao prometido a mãe também depressa se arranjou para acompanhar a filha ao zoológico, sendo ainda cedo quando saíram de casa.

Continua

Lamentos e desculpa, é tudo o que tenho a pedir aos meu caríssimos e inexistentes leitores pois o tempo escasseia com vendas de jornais e os problemas com a chegada do FMI não me tem permitido escrever tanto como desejava, sei bem no entanto que a vossa pergunta é : “Que tenho eu a ver com isso.” Por tanto, os meus mais sinceros lamentos a vós. Contudo em época de crise o que se vende mais são jornais.

El Patronito o Ardina