No seu restaurante-marisqueira, prestes a fechar, ele pediu uma imperial, deu dois grandes goles deixando-a pela metade. Entretanto entrou uma esbelta mulher e rapidamente se sentou ao balcão ao lado dele.
- Oi - disse ela.
- Oi! - exclamou surpreendido - Então tudo bem? Como me encontraste aqui neste antro?
- Sabia que estarias aqui. É o teu refúgio e essa é a tua companhia, além do mais, todos conhecem isto.
- De todos os restaurantes do mundo inteiro tinhas logo que entrar no meu. – lamentou ele acendendo um cigarro.
- Não sejas assim! Já te disse; todos conhecem o Porto-Novo.
- Então “Cinderella” que vieste cá fazer. - Perguntou dando mais um bafo no cigarro.
- Vim dizer que te amo.
- E dizes isso assim, descontraidamente, como se de algo simples se tratasse.
- E como querias que dissesse? Que chorasse baba e ranho.
- Não… isso não. Não faz o teu género - afirmou ele sorrindo dando mais um gole na cerveja.
- Pois tens razão. Tentei de facto dize-lo em modo de gracejo. Lembro-me bem, «Acho que estou a começar a gostar de ti» lembro-me bem. Mas tu, simplesmente não descodificaste a mensagem. É normal em ti… distraído como o vento, mas para mim é um deleito, adoro esse teu defeito.
- No entanto que viste cá fazer? Não é costume. - perguntou ele. Bebendo mais um pouco da cerveja.
- Sem dúvida. Vim ver como estavas, beber um martíni, ganhar inspiração…
- Para o próximo policial ou será romance desta vez?
- Não sei ainda. Por isso é que aqui estou.
- Pensei que era pra me ver? – reclamou ele
- Claro que é pra te ver, mas e que mal tem juntar o útil ao agradável.
- Olha! Lembras-te desta música? – perguntou ele desviando a conversa.
- Se me lembro! “Play it again Sam” - gracejou ela – são coisas que nunca se esquecem.
- Grande filme. Na altura ainda éramos só sorrisos. – Comentou fumando um cigarro a olhar para o nada.
- É verdade. Lembras-te quando demos as mãos, naquela parte em que Laszlo ordena: “Play the Marseillaise. Play it!”
- E quando nos beijámos?... quando a Ilsa disse: “Kisse-me, kisse-me as if it where the last time”. Como me lembro. Parece que foi ontem, e hoje aqui estamos. Disse ele apagando o cigarro.
Ambos acabaram as bebidas; ele deu o último trago na cerveja e ela o último trago no martíni. Pediram então uma garrafa de vinho tinto de uma carta alentejana de 98.
- Porque não bebes Charlie? Era o teu preferido…
- Nosso! - clamou ele interrompendo-a – e ainda é. Não há vinho como esse! Verte ai um copo para mim.
- És…
-…Fantástico! – interrompeu ele indiferente – Já sei, tas sempre a dizer isso.
- Pois! É verdade… mas ia no entanto acrescentar, one in a million.
- Ah! Não digas isso - disse ele intimidado - então Gabby como vai ser o teu novo romance?
- Olha! – Suspirando - não sei. Provavelmente um sujeito e uma donzela, encostados ao balcão de uma marisqueira prestes a fechar, a beber vinho e sem saberem o que dizer um ao outro.
- Parece-me ser agradável. Na verdade os melhores momentos são estes, em que se começa sozinho e acaba-se acompanhado. É os chamados momentos imprevisíveis. – disse acendendo mais um cigarro.
- Olha! estão a tocar o que tu gostas. - disse ela dando mais um trago no copo de vinho.
- Ainda te lembras quem é?
- Como havia de me esquecer. Cada vez que a Eunice canta, os teus olhos brilham. Brilham como outrora brilhavam comigo.
- Ainda brilham Gabby. – disse ele olhando para ela – Nunca duvides disso. És a única a quem eles brilham como o sol. Engraçado! – disse voltando-se novamente para o balcão - Quando somos pequenos fazem-nos acreditar que o amor é como as historias da Branca de Neve. Longe disso. Bem mais complicado. Abre mais uma Frank.
- Tem a certeza? Não devia beber tanto – aconselhou Frank.
- Não te preocupes Frank, sei tratar de mim. Abre a garrafa e deixa-te de alvitres.
- Ainda há tempo? - perguntou surpresa Gabby.
- Óh menina! – gracejou Frank abrindo a garrafa – há tempo há. Tempo é a única coisa que não se pode comprar aqui no Cais do Sodré. Não se preocupe, não sairei daqui tão cedo. Enquanto o patrão ficar, eu ficarei.
- Hey Charlie - perguntaste-me o que andava a escrever e respondi-te e tu, em que andas a trabalhar? Uma fantasia calculo?
- Claro! Já me conheces. Qualquer coisa, metendo um casal, um barman e uma garrafa de vinho. E claro, um toque de fantasia.
- Charlie hein! Always trying to save the world.
- Temos que acreditar em algo não é verdade.
- É verdade!, há que acreditar em algo.
- Olha!... lembrei-me de uma historia, mas que tu podias dar-lhe continuidade – disse bebendo mais um gole de vinho e acendendo um cigarro.
Gabby sem sequer pedir, tirou confiantemente um cigarro para si e acendeu-o dando dois bafos seguidos.
- Não pares! - disse
- Começa com um homem rico – prosseguiu Charlie - a contar como juntou a sua riqueza. O homem que o está a ouvir é um detective privado. O cliente diz que alguém o quer matar, e de facto assim o é, por um assassino profissional contratado pela mulher, só que ele entretanto simula uma explosão no barco e a esposa é apanhada. The – fucking - End.
- Fatela. Mas tenho uma boa para ti. Um menino aventureiro cujo nome não se sabe. É conhecido apenas por “Menino dos calções pretos”, ele é um semideus, o que lhe permite fazer inúmeras coisas. Nesta aventura ele é o único capaz de encontrar um pergaminho essencial á humanidade. Ele é o escolhido. Então que achas?
- Não me agrada. - disse rindo – Olha estão a tocar o que tu gostas.
- Ainda te lembras? – perguntou ela sorrindo.
- Como podia esquecer o Eddy, era o que estava sempre a tocar lá no Porto. Adoras o homem. Quem dera que me adorasses tanto como a ele.
- E adoro parvalhão. Se soubesses o quanto eu te adoro, quem me dera não te amar tanto!
- Porque? Sou assim tão mau?
- Não… és bem mais que isso. És especial. Ainda foste mencionar o Porto. O Porto!, que maravilha. Tivemos belos momentos lá.
- Sim! sempre teremos o Porto. Bebo a isso. "Here’s looking at you, kid". – disse erguendo o copo.
Ela então começou a cantarolar uma música enquanto brincava com o copo e chocalhava a bebida.
- Out on the corner with cast iron blood
10,000 or more with hearts on their own…
- …they say i might die i maybe cold
I may have no jesus I may have no soul – prossegiu charlie.
- Malandro! – replicou ela matando o ultimo gole de vinho.
- Olha! Mudando de conversa tenho uma proposta simpática para ti. Se quiseres ouvir.
- Estou ansiosa continua. – afirmou Gabby
- Envolve um casal, um filme e uma garrafa de vinho. O que me dizes de nos pormos a andar daqui pra fora e irmos para casa ver um filme?
- Tipo Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Que dizes?
- Não percamos mais tempo! Baby! lets go home. Frank dá me mais uma pra levar.
- Mas eu estou um pouco torta.
- Não te preocupes. Olharei por ti. Sempre o fiz! – disse charlie colocando o seu casaco em Gabby.
- És…
- …fantastico. Já sei.
- Não! – disse ela – One in a million.
Ambos despediram-se rapidamente de Frank que deu uma garrafa a Charlie. Á saida, um avião passou por cima deles.
- Sabes “Cinderella”? Este cenário lembra-me algo - comentou Charlie a Gabby.
Então Gabby gracejou com um sorriso:
- "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship".
The – fucking - End
O Poeta
El Patronito o Ardina
quinta-feira, 8 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
Dear Lord
Preciso de te pedir um favor. Tenho um amigo de um amigo de uma amiga minha, que é amiga de um amigo de um amigo que por sua vez é amigo de uma amiga que é minha amiga. Ora esse amigo de um amigo… bem, tu entendes!
Sabes? Se a vida é um caminho com muitos atalhos; uns piores outros melhores, creio que ele caminha num atalho um pouco escuro, acredito que ele ande um pouco azarado, oportunidades não aparecem muitas, talvez seja próprio dele. Quando ele vir a luz certamente será grande, talvez até lhe careça um pouco de objectivos, ou motivação, dai ele andar “murcho”, perdoa-me a expressão. Coitado já levou tanta talhada na vida!, tenho a certeza que se eu ou tu lhe apontarmos o caminho ele terá um futuro cheio, será certamente alguém que fará a diferença e vingará neste mundo dominado pela ganância.
Hás-de reparar! Ele tem uma aura muito particular, tão positiva quanto o metal mais brilhante da tabela periódica. Só isso acredita que suscita muita inveja nas outras pessoas. Ele é boa peça só lhe faz falta uma das tuas lanternas para lhe iluminar o caminho. Sabes uma coisa? Ele tem um sorriso fantástico, por mais triste que esteja, consegue sempre causar sorrisos nas faces dos mais carrancudos. Creio até que a sua boa disposição teria posto um sorriso na cara de Ebenezer antes mesmo de ele ter conhecido os 3 espectros. Costumo dizer que ele era capaz até, de por um sorriso a um calhau no meio do campo. Preocupa-me contudo; pois tamanha disposição esconde sempre alguma tristeza. Parece que o miúdo chora. Compreende!, não é chorar como chora uma criança. Talvez seja lamentar como lamenta uma pessoa envolta na solidão, em que os seus olhos lacrimejam, mas a sua expressão continua a mesma a avistar o nada, enqunto as lagrimas lhe marcam a face. É esquisito o miúdo mas é um tipo bestial.
Imagina que a época festiva que ele mais gosta é o Natal. Adora todas aquelas histórias dos fantasmas, da menina dos fósforos. Nessa quadra, ele comenta sempre extasiado «Olha lá o Jacob Marley e o menino do tambor, olha os carrilhões e o fantasma do natal passado, que maravilha!». Imagina que ele até leu o conto de natal em Italiano, não deve ter compreendido tudo mas com efeito leu-o de uma ponta a outra, á custa disso, por vezes até gracejava com deleito, «E così, come Tiny Tim diceva: "Dio ci protegga tutti e ci benedica".»
O miúdo é castiço não tenhas duvidas, é inteligente também, só precisa de algo, talvez uma lamparina de óleo para o guiar no escuro.
Sabes!, o derradeiro segredo meu caro, é que ele gosta de escrever histórias para crianças… aliás todo o tipo de historias mas gosta especialmente de fantasiar. Ora olha! Toda a humanidade precisa de fantasia não é verdade? para sair um pouco do “real”, esquecer os problemas. Sim! Garanto-te, o miúdo é inteligente, isso não posso negar e escreve muito bem. Acho que o seu sonho é causar tanto impacto no mundo quanto todos aqueles contistas geniais que se ouvem falar, na minha opinião ele é igualmente genial. Tenho a certeza que irá ter o seu quinhão na história do mundo. Tenho a certeza que um dia há-de ver o mar do panteão nacional.
Caramba, o miúdo é boa peça, só precisa de um empurrão dos teus, para se por andar. Acredita! Ele é especial, assim o considero. Eu adoro o seu sorriso, a sua boa disposição. Por falar nisso; poxa, lembrei-me! Ele é um traquina do pior, parece uma criança, prega com cada partida… só para nos ver sorrir, vê lá! Ele é mesmo assim, é um diabrete de primeira mas tem um coração de ouro, um dia sei que ele há-de vingar só lhe é preciso apontar o caminho certo. Ele é bom sujeito, embora nem todos achem isso sei eu que é. Tem defeitos sem dúvida, mas e então, quem não os tem?
Ele não é má pessoa, apenas está perdido.
El Patronito o Ardina
Sabes? Se a vida é um caminho com muitos atalhos; uns piores outros melhores, creio que ele caminha num atalho um pouco escuro, acredito que ele ande um pouco azarado, oportunidades não aparecem muitas, talvez seja próprio dele. Quando ele vir a luz certamente será grande, talvez até lhe careça um pouco de objectivos, ou motivação, dai ele andar “murcho”, perdoa-me a expressão. Coitado já levou tanta talhada na vida!, tenho a certeza que se eu ou tu lhe apontarmos o caminho ele terá um futuro cheio, será certamente alguém que fará a diferença e vingará neste mundo dominado pela ganância.
Hás-de reparar! Ele tem uma aura muito particular, tão positiva quanto o metal mais brilhante da tabela periódica. Só isso acredita que suscita muita inveja nas outras pessoas. Ele é boa peça só lhe faz falta uma das tuas lanternas para lhe iluminar o caminho. Sabes uma coisa? Ele tem um sorriso fantástico, por mais triste que esteja, consegue sempre causar sorrisos nas faces dos mais carrancudos. Creio até que a sua boa disposição teria posto um sorriso na cara de Ebenezer antes mesmo de ele ter conhecido os 3 espectros. Costumo dizer que ele era capaz até, de por um sorriso a um calhau no meio do campo. Preocupa-me contudo; pois tamanha disposição esconde sempre alguma tristeza. Parece que o miúdo chora. Compreende!, não é chorar como chora uma criança. Talvez seja lamentar como lamenta uma pessoa envolta na solidão, em que os seus olhos lacrimejam, mas a sua expressão continua a mesma a avistar o nada, enqunto as lagrimas lhe marcam a face. É esquisito o miúdo mas é um tipo bestial.
Imagina que a época festiva que ele mais gosta é o Natal. Adora todas aquelas histórias dos fantasmas, da menina dos fósforos. Nessa quadra, ele comenta sempre extasiado «Olha lá o Jacob Marley e o menino do tambor, olha os carrilhões e o fantasma do natal passado, que maravilha!». Imagina que ele até leu o conto de natal em Italiano, não deve ter compreendido tudo mas com efeito leu-o de uma ponta a outra, á custa disso, por vezes até gracejava com deleito, «E così, come Tiny Tim diceva: "Dio ci protegga tutti e ci benedica".»
O miúdo é castiço não tenhas duvidas, é inteligente também, só precisa de algo, talvez uma lamparina de óleo para o guiar no escuro.
Sabes!, o derradeiro segredo meu caro, é que ele gosta de escrever histórias para crianças… aliás todo o tipo de historias mas gosta especialmente de fantasiar. Ora olha! Toda a humanidade precisa de fantasia não é verdade? para sair um pouco do “real”, esquecer os problemas. Sim! Garanto-te, o miúdo é inteligente, isso não posso negar e escreve muito bem. Acho que o seu sonho é causar tanto impacto no mundo quanto todos aqueles contistas geniais que se ouvem falar, na minha opinião ele é igualmente genial. Tenho a certeza que irá ter o seu quinhão na história do mundo. Tenho a certeza que um dia há-de ver o mar do panteão nacional.
Caramba, o miúdo é boa peça, só precisa de um empurrão dos teus, para se por andar. Acredita! Ele é especial, assim o considero. Eu adoro o seu sorriso, a sua boa disposição. Por falar nisso; poxa, lembrei-me! Ele é um traquina do pior, parece uma criança, prega com cada partida… só para nos ver sorrir, vê lá! Ele é mesmo assim, é um diabrete de primeira mas tem um coração de ouro, um dia sei que ele há-de vingar só lhe é preciso apontar o caminho certo. Ele é bom sujeito, embora nem todos achem isso sei eu que é. Tem defeitos sem dúvida, mas e então, quem não os tem?
Ele não é má pessoa, apenas está perdido.
El Patronito o Ardina
quarta-feira, 19 de maio de 2010
One more for the thousand
Estou de parabéns. Sim! estou de parabéns. Não é o meu aniversário… Não. Mas estou de parabéns. Não conquistei nada de especial mas estou de parabéns. Não ganhei um prémio Nobel (embora aspira-se recebe-lo um dia), não. Não consegui mudar o mundo… ainda (ambiciona um dia consegui-lo). Não conquistei ainda a felicidade…não (por enquanto). A verdade: é que neste dia ou talvez amanha ou mesmo depois de amanha estaremos a atingir os mil leitores. Ora que maravilha! É tempo de recompensar-vos caros e pseudo-inexistentes leitores, pois pago uma média de "jeca" a quem for o leitor número 1000. Com certeza ninguém se acusará é tão certo como haver amanha e como tenho eu razão sobre este assunto.
Podia aqui falar da primeira vez que postei uma castiça mas disléxica crónica - e quem acompanha regularmente a gata sabe qual é - mas deixarei essa dedicatória para quando atingirmos física e majestosamente os mil leitores.
My one thousand hugs for all
Abraços e agradecimentos de (O Poeta) e (O Capitão)
Um Bem-haja by:
The one, the only:
El PAtronito o Ardina
Podia aqui falar da primeira vez que postei uma castiça mas disléxica crónica - e quem acompanha regularmente a gata sabe qual é - mas deixarei essa dedicatória para quando atingirmos física e majestosamente os mil leitores.
My one thousand hugs for all
Abraços e agradecimentos de (O Poeta) e (O Capitão)
Um Bem-haja by:
The one, the only:
El PAtronito o Ardina
Uma caixa de 36 cores
Era uma caixa de 36 cores de uma marca italiana, cuja fábrica ficava no interior de Toscana, quase perto da fronteira; agora, estavam em Sardenha, numa casa virada para o mar, e com eles o seu proprietário podia desenhar o que quisesse. Sim, eram 36 cores magníficas de lápis de cor aquarela, dos quais se podia rabiscar qualquer esboço, desenho ou retrato, e bastava apenas molhar os traços com um pincel, para lhes dar um extraordinário efeito aguarela, concretizando-se assim quadros maravilhosos.O seu proprietário era um talentoso desenhista, pintava e desenhava no papel tudo aquilo que a imaginação e fantasia lhe permitissem, era um génio nos lápis de cor aquarela. Conhecia muitos métodos de desenho e apesar de ter variadíssimos materiais, o que ele usava regularmente era o seu singelo pincel e os lápis daquela caixa de 36 cores.
Lorenzo de nome, era um sujeito muito distraído, tinha inúmeros desenhos afixados nas paredes do seu atelier, dezenas de desenhos esplêndidos, alguns deles nem se lembrava ter desenhado. O seu atelier era um espaço desarrumado, típico de um artista e mais característico ainda de uma pessoa distraída. Ele chegava de manha, ao desabrochar do sol e a primeiríssima coisa que fazia era abrir as janelas que davam a vista para o mar, abria-as na totalidade, para entrar a brisa marítima e os raios solares que iluminavam os numerosos desenhos pendurados nas paredes, depois fazia uma caneca de café e ligava o seu pequeno rádio que poisava ao seu lado na grande mesa, transmitindo sinfonias e melodias italianas o dia inteiro, e só então começava a desenhar. Por vezes era capaz de realizar 2 e 3 quadros, outros dias, quando a vontade e a imaginação não surgiam, fazia 1 ou limitava-se apenas a ver o mar e os pequenos barcos pela janela do seu espaço, aguardando que alguma ideia lhe caísse no pensamento.
Foi só um cheirinho ainda há mais para contar.
O Poeta
El Patronito o Ardina
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Era uma Lagarta.
Era uma Lagarta, que passeava lá no meu jardim. Por Deus!, não podia com ela, e dela pouco gostava.
Ora, não é que a malandra comia-me as folhas todas daqueles rebentos que eu havia plantado no verão; que cresciam sãos e fortes, davam frutos maravilhosos e que odorizavam um magnífico aroma a “natural”, a fresco.
Enquanto as minhas plantas cresciam sãs e fortes, também ela crescia proporcionalmente; a safada engordava tanto como engorda um bacorinho apaparicado. Não seria de esperar outra coisa, com a qualidade das folhas com que ela se alimentava.
Deixou-me doido, e sinceramente já não sabia o que fazer com a patifa; mordiscava-me as folhas de uma maneira que mais parecia um corta-relvas. Dei por mim a puxar os cabelos, a pensar numa forma de travar a fedelha. Mas no entanto jamais!, ousei sequer pensar, ceifar-lhe a vida, embora tivesse experimentado tudo para que ela muda-se de casa: repelentes naturais, cortar umas folhas, borrifa-las, tudo! Mas não, a malandreca lá ficou. Assim, não o fez e lá permaneceu, forte, hirta, crescendo nas folhas como cresce um catraio no auge da sua criancice
A miúda devastou-me a maior parte das folhas que lá havia, desde as miúdas às graúdas, poupou cuidadosamente a mais bonita, para se refastelar sob a sua sombra, e fazer lá o seu casulo.
E passados 2 meses, sair da sua toca como uma linda borboleta.
Apesar de linda queria ser esperta, pois queria lá instalar as suas 100 filhas descendentes que haveriam de me devastar ainda mais as couves. Aí sim! Sem pensar duas vezes, comprei um repelente também ele natural, que não magoa ninguém, para ela não as por lá. Não chegou a por. No entanto daquele casulo branco e redondo saiu uma bela borboleta, não haja dúvida disso, parecia até uma fada.
Não havia manha ou tarde solarenta que ela não estivesse na minha varanda, quantas vezes me levantei sonolento para a ver, quantas vezes ao lado dela bebi o meu leite aquecido, com mel, enquanto ela aquecia as suas asas coloridas ao sol. Nada me deixava mais alegre e contente do que vê-la ali. Era como se ela, todas as manhas, me desse os bons dias.
Mas por momentos, a borboleta ergueu-se e metamorfose, mesmo, numa fada: vestia uma túnica vermelha, carregada de uma beleza transcendente, suas assas eram frágeis e translúcidas, o seu cabelo ruivo, pendia encaracolado sobre os seus ombros, e a franja caia na face, quase escondendo os seus magníficos olhos azuis. Ela toucou-me com a varinha de condão que era um singelo ramo de uma folhagem, como se estivesse a proporcionar-me um desejo. E depois? Depois desapareceu. Tudo não passara de um belo sonho. A lagarta, estava lá sim, a comer-me as folhas sim, tornou-se numa borboleta esplendorosa sim, e ainda hoje passa-me no parapeito para me dar uns bons dias, mas não era fada. A borboleta era tão bonita que a tomei por uma fada e só e só Deus sabe quanto eu necessito de uma fada. Só Deus sabe, quanto o mundo carece de fadas.
O Poeta
Um bem haja e um FELIZ ANIVERSÀRIO.
El Patronito o Ardina
Ora, não é que a malandra comia-me as folhas todas daqueles rebentos que eu havia plantado no verão; que cresciam sãos e fortes, davam frutos maravilhosos e que odorizavam um magnífico aroma a “natural”, a fresco.
Enquanto as minhas plantas cresciam sãs e fortes, também ela crescia proporcionalmente; a safada engordava tanto como engorda um bacorinho apaparicado. Não seria de esperar outra coisa, com a qualidade das folhas com que ela se alimentava.
Deixou-me doido, e sinceramente já não sabia o que fazer com a patifa; mordiscava-me as folhas de uma maneira que mais parecia um corta-relvas. Dei por mim a puxar os cabelos, a pensar numa forma de travar a fedelha. Mas no entanto jamais!, ousei sequer pensar, ceifar-lhe a vida, embora tivesse experimentado tudo para que ela muda-se de casa: repelentes naturais, cortar umas folhas, borrifa-las, tudo! Mas não, a malandreca lá ficou. Assim, não o fez e lá permaneceu, forte, hirta, crescendo nas folhas como cresce um catraio no auge da sua criancice
A miúda devastou-me a maior parte das folhas que lá havia, desde as miúdas às graúdas, poupou cuidadosamente a mais bonita, para se refastelar sob a sua sombra, e fazer lá o seu casulo.
E passados 2 meses, sair da sua toca como uma linda borboleta.
Apesar de linda queria ser esperta, pois queria lá instalar as suas 100 filhas descendentes que haveriam de me devastar ainda mais as couves. Aí sim! Sem pensar duas vezes, comprei um repelente também ele natural, que não magoa ninguém, para ela não as por lá. Não chegou a por. No entanto daquele casulo branco e redondo saiu uma bela borboleta, não haja dúvida disso, parecia até uma fada.
Não havia manha ou tarde solarenta que ela não estivesse na minha varanda, quantas vezes me levantei sonolento para a ver, quantas vezes ao lado dela bebi o meu leite aquecido, com mel, enquanto ela aquecia as suas asas coloridas ao sol. Nada me deixava mais alegre e contente do que vê-la ali. Era como se ela, todas as manhas, me desse os bons dias.
Mas por momentos, a borboleta ergueu-se e metamorfose, mesmo, numa fada: vestia uma túnica vermelha, carregada de uma beleza transcendente, suas assas eram frágeis e translúcidas, o seu cabelo ruivo, pendia encaracolado sobre os seus ombros, e a franja caia na face, quase escondendo os seus magníficos olhos azuis. Ela toucou-me com a varinha de condão que era um singelo ramo de uma folhagem, como se estivesse a proporcionar-me um desejo. E depois? Depois desapareceu. Tudo não passara de um belo sonho. A lagarta, estava lá sim, a comer-me as folhas sim, tornou-se numa borboleta esplendorosa sim, e ainda hoje passa-me no parapeito para me dar uns bons dias, mas não era fada. A borboleta era tão bonita que a tomei por uma fada e só e só Deus sabe quanto eu necessito de uma fada. Só Deus sabe, quanto o mundo carece de fadas.
O Poeta
Um bem haja e um FELIZ ANIVERSÀRIO.
El Patronito o Ardina
terça-feira, 4 de maio de 2010
At the Pharmacy
Entrou um senhor a assoar-se. Não parecia engripado, mas com certeza que alguma alergia primaveril o tinha atacado. Talvez fosse Sinusite! Dor de cabeça, seios nasais entupidos, mal-estar, alguma tosse. Sim! Era o mais provável.
Ele entrou na farmácia, onde após ter retirado a senha numero 57 foi logo chamado.
- Ora boa tarde. Que deseja? – perguntou a farmacêutica. Uma jovem esbelta de olhos azuis e cabelo encaracolado. Media talvez 1.56 metros, de tal forma que a bancada dava-lhe pelo peito, e dispunha de uma simpatia muito incomum no ser humano.
- Boa tarde! - avançou o senhor com um ar lastimável derivado da alergia que o incomodava - Queria uma caixa de aspirinas, um descongestionante nasal, e um vaporizador nasal… Ah! e era também uma caixa de felicidade.
- Tem prescrição para a felicidade – perguntou a farmacêutica
- Tenho sim senhora. Aqui tem. – respondeu o senhor mostrando a receita médica.
- Quer genérico?
- Sim pode ser. Mas que tipos de administrações tem para a felicidade?
- Bem para a felicidade, temos vários produtos é pena é ter que ser vendido com receita médica pois fazia jeito a muita gente. Temos em gel, o Happytil e em drageias o Happynax.. Eu costumo aconselhar as drageias, que é o que aqui tem prescrito, uma caixa de 30, embora tenhamos de 60 também. Há também em pomada Happydazina e em xarope o Happysolvon. Em genérico temos o Happyfene… ora aqui tem.
- Sim! Parece que o Happyfene está bom para mim.
- Vai levar então o genérico?
- Sim, sim… Mas olhe, está ali um na montra também, aquilo é o que?
- Ooh! Aquilo é Happyxigen. É o mesmo mas em ampolas, é mais suave, para pequenas quebras, ou mesmo para evita-las.
- Este medicamento tem muita saída. Não é? – perguntou o senhor adoentado.
- Nem imagina. Ainda há o Happygodil, é mais suave, prescrito geralmente para crianças, e o Happylstar, mas esse não vendemos aqui. Isso é soro, só é administrado nos hospitais, em urgências, e em pessoas já mesmo desesperadas.
- Vocês têm cá de tudo! – afirmou o senhor
- Sem dúvida. Neste medicamento há de tudo, nem imagina. Olhe! há até rebuçados medicinais que costumam ter muita saída no Inverno. O Happyard. Que levar um pacote não precisa de prescrição para os rebuçados.
- Não obrigado! Fico só com o genérico, o Happyfene.
- Então aqui tem: o Happyfene, a caixa de aspirinas, o descongestionante nasal e o vaporizador. Você não bebe? – perguntou a famaceutica
- Apenas socialmente. Vai me convidar para um copo? - gracejou o senhor
- Nem por isso é só para não beber enquanto estiver a tomar o Happyfene. Mas tem as recomendações no folheto informativo do medicamento.
- Agora apanhou-me bem.
- Não se preocupe veja se melhora e depois passe cá para comprar os rebuçados Happyard, e então falaremos.
Ao dizer isto a Farmacêutica entregou-lhe os medicamentos e piscou-lhe o olho, para depois lhe indicar:
- Pode pagar ali na caixa.
- Obrigado…resto de bom dia.
- As melhoras! – desejou a farmacêutica.
- Obrigado, muito obrigado.
O senhor melhorou, voltou a farmácia para comprar os rebuçados, e lá estava ela de novo. Falaram por algum tempo mas como ela estava a trabalhar combinaram um café para depois.
O que aconteceu a seguir? Bem! Isso já é outra história.
No entanto era bom, que a felicidade se comprasse em caixas de comprimidos, em qualquer farmácia.
Um bem-haja
El Patronito o Ardina
Ele entrou na farmácia, onde após ter retirado a senha numero 57 foi logo chamado.
- Ora boa tarde. Que deseja? – perguntou a farmacêutica. Uma jovem esbelta de olhos azuis e cabelo encaracolado. Media talvez 1.56 metros, de tal forma que a bancada dava-lhe pelo peito, e dispunha de uma simpatia muito incomum no ser humano.
- Boa tarde! - avançou o senhor com um ar lastimável derivado da alergia que o incomodava - Queria uma caixa de aspirinas, um descongestionante nasal, e um vaporizador nasal… Ah! e era também uma caixa de felicidade.
- Tem prescrição para a felicidade – perguntou a farmacêutica
- Tenho sim senhora. Aqui tem. – respondeu o senhor mostrando a receita médica.
- Quer genérico?
- Sim pode ser. Mas que tipos de administrações tem para a felicidade?
- Bem para a felicidade, temos vários produtos é pena é ter que ser vendido com receita médica pois fazia jeito a muita gente. Temos em gel, o Happytil e em drageias o Happynax.. Eu costumo aconselhar as drageias, que é o que aqui tem prescrito, uma caixa de 30, embora tenhamos de 60 também. Há também em pomada Happydazina e em xarope o Happysolvon. Em genérico temos o Happyfene… ora aqui tem.
- Sim! Parece que o Happyfene está bom para mim.
- Vai levar então o genérico?
- Sim, sim… Mas olhe, está ali um na montra também, aquilo é o que?
- Ooh! Aquilo é Happyxigen. É o mesmo mas em ampolas, é mais suave, para pequenas quebras, ou mesmo para evita-las.
- Este medicamento tem muita saída. Não é? – perguntou o senhor adoentado.
- Nem imagina. Ainda há o Happygodil, é mais suave, prescrito geralmente para crianças, e o Happylstar, mas esse não vendemos aqui. Isso é soro, só é administrado nos hospitais, em urgências, e em pessoas já mesmo desesperadas.
- Vocês têm cá de tudo! – afirmou o senhor
- Sem dúvida. Neste medicamento há de tudo, nem imagina. Olhe! há até rebuçados medicinais que costumam ter muita saída no Inverno. O Happyard. Que levar um pacote não precisa de prescrição para os rebuçados.
- Não obrigado! Fico só com o genérico, o Happyfene.
- Então aqui tem: o Happyfene, a caixa de aspirinas, o descongestionante nasal e o vaporizador. Você não bebe? – perguntou a famaceutica
- Apenas socialmente. Vai me convidar para um copo? - gracejou o senhor
- Nem por isso é só para não beber enquanto estiver a tomar o Happyfene. Mas tem as recomendações no folheto informativo do medicamento.
- Agora apanhou-me bem.
- Não se preocupe veja se melhora e depois passe cá para comprar os rebuçados Happyard, e então falaremos.
Ao dizer isto a Farmacêutica entregou-lhe os medicamentos e piscou-lhe o olho, para depois lhe indicar:
- Pode pagar ali na caixa.
- Obrigado…resto de bom dia.
- As melhoras! – desejou a farmacêutica.
- Obrigado, muito obrigado.
O senhor melhorou, voltou a farmácia para comprar os rebuçados, e lá estava ela de novo. Falaram por algum tempo mas como ela estava a trabalhar combinaram um café para depois.
O que aconteceu a seguir? Bem! Isso já é outra história.
No entanto era bom, que a felicidade se comprasse em caixas de comprimidos, em qualquer farmácia.
Um bem-haja
El Patronito o Ardina
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